"Há dias assim… dias em que me recolho ao meu silêncio de menina-mulher que quer desmontar o livro da vida para lhe descobrir os segredos e os desígnios…" (palavrasaovento.blogs.sapo.pt)

23
Jul 09

 

 Ontem pedi-te que me contasses uma história. 'Uma história? Mas de que tipo?' - disseste tu. Apenas uma história, como as que se contam para adormecer. Admiraste-te com o pedido mas apressaste-te a satisfazê-lo: 

 

 

 'Era uma vez um astronauta que, depois de inúmeras viagens por outras tantas galáxias, chegou a um planeta onde encontrou um ser que em muito apresentava semelhanças com o que na terra se podia ter como animal de estimação. Podia ser um cão ou um gato. Era uma criatura diferente, talvez até estranha, mas amistosa, mostrava-se afável e de confiança. E por tudo o que a criataura lhe inspirava imediatamente se afeiçoou a ela. Ficou radiante por também a criatura mostrar sinais de afecto.
 

 O astronauta ficou muito satisfeito com a situação. Tinha estabelecido contacto com um ser alienígena e isso era um feito notável neste e em qualquer mundo habitado, tratou, por isso, de cuidar bem da sua descoberta. E lá foi cuidando sempre o melhor que pode. Pensou que a sua missão a partir daí seria cuidar. E a criatura, aparentemente cuidada e cuidadosa, deixou-se cuidar porque pensou que esse cuidado era importante para o astronauta.
Os dias iam passando e os cuidados do astronauta tornavam-se uma rotina mais ou menos bem sucedida. Entretanto a criatura, que não era nem um gato nem um cão, interrogava-se sobre o que faria o astronauta manter tanto afinco em cuidados que, afinal, não eram tão necessários assim, e sentia-se incomodado. O astronauta olhava a criatura cada vez mais com estranheza e pensava e repensava como é que tanto empenho e afecto a cuidar poderia incomodar e, confuso, foi entristecendo. A criatura notou e ficou triste, sem saber como curar a tristeza do astronauta.


 O astronauta conhecia cães e gatos e amava todos os animais. Queira o melhor para eles. Por mais que se esforçasse não entendia o desconforto e a indiferença da criatura que, entretanto, comunicava numa linguagem estranha e indecifrável. O astronauta começou a ter medo sem saber de quê. A criatura reparou e não percebeu porquê. O astronauta inventava maneiras de cuidar. A criatura inventava formas de se deixar cuidar sem esforço do astronauta. O astronauta cuidava que cuidava. A criatura queria cuidar sem nunca conseguir.
 Ambos se tinham esquecido que eram apenas diferentes. Diferentes no sentir e no cuidar. E isso fazia toda a diferença das peças por encaixar. O astronauta e a criatura eram diferentes e atropelavam-se diariamente sem perceber os limites da diferença.'

 

Perfeito. Foi o que respondi. E tu sabias que sim, era por essa razão que tinhas escolhido essa história para me contares: é-te tão familiar quanto a mim. A nossa Metáfora. Diz-me, meu ET, será que com os nossos erros já aprendemos a moral da história?

 

 

 

 (Sei que fizeste batota, era impossível esceveres com tamanha rapidez, mas dizes que tens as tuas fontes (Leia-se: http://dentrodocopovazio.blogspot.com). Eu não me importo, escolheste bem.)

Foi a Ni às 00:36
Sinto-me: Plena
A ouvir: Yiruma - Kiss the Rain

3 Foi dito':
Olá, Ní! Como está?

Que legal que tenha descoberto meu blog! Obrigada por apreciá-lo.

Nossa, dança de salão... Conheci algumas pessoas que fazem, mas eu mesma nunca experimentei. Se, um dia, tiver oportunidades, gostaria de ter uma aulinha, sim, eheheh. Deve ser muito gostoso.

Sim, passe no meu blog sempre que quiser! Estou sempre tratando sobre minhas experiências com a dança, bem como um pouco sobre "ser mulher", reflexões, enfim.

Quanto à "Metáfora", que bela história! Às vezes, não conhecemos os limites de outro e nem o questionamos se ele está bem com nossas ações. As diferenças devem ser percebidas, discutidas e respeitadas, acima de tudo.

Beijos!
Giovana a 24 de Julho de 2009 às 16:56

"Será que com os nossos erros já aprendemos a moral da história?", só o tempo dirá se aprenderam ou não. Mas de certeza ,que algo mudou depois de saber como um capítulo havia terminado.
Tão vossa é essa história, tão tua é a minha felicidade. Sempreaquiparati,minhaMM! <3

Ni, obrigada pelo teu comentário e pelas tuas palavras... Tenho pena que estejas na mesma situação do que eu, de espectadora de uma história que sabes, à partida, que não vai ter um final feliz...
Infelizmentem nada mais podemos fazer do que esperar para depois apoiar!

Gostei bastante da moral da história: devemos aceitar as diferenças pois são elas que nos tornam únicos e especiais!

Beijinho
Joana' a 7 de Agosto de 2009 às 02:02

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